Um estudo internacional liderado por investigadores da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa mostra que soluções baseadas na natureza podem reduzir até 40% o stress térmico urbano.
Nesse sentido, o trabalho destaca o papel do planeamento urbano na adaptação às alterações climáticas.
No entanto, os investigadores alertam que estas soluções, por si só, não são suficientes para compensar os impactos futuros.
Estudo analisa impacto em Lisboa e Islamabad
O estudo foi desenvolvido por investigadores do Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais (CE3C).
Além disso, foi publicado na revista Landscape and Urban Planning.
A investigação analisou o impacto de soluções urbanas na Área Metropolitana de Lisboa e em Islamabad, no Paquistão.
Assim, foi possível comparar diferentes contextos urbanos e climáticos.
Intervenções reduzem significativamente o calor urbano
Os resultados mostram que medidas como o aumento de áreas verdes e a plantação de árvores têm impacto direto na redução do calor.
Além disso, a remoção de superfícies impermeabilizadas também contribui para este efeito.
Assim, estas intervenções podem reduzir a exposição ao calor extremo em até 40% dos dias.
Ao mesmo time, os benefícios resultam sobretudo da criação de sombra e da redução da temperatura das superfícies urbanas.
Impacto varia entre dia e noite
O estudo revela diferenças importantes entre os efeitos diurnos e noturnos.
Durante o dia, as árvores são particularmente eficazes.
- reduzem a temperatura até cerca de 0,5°C
- funcionam melhor em áreas contínuas e densas
Por outro lado, durante a noite, a remoção de superfícies impermeabilizadas tem maior impacto.
- reduz entre 10% e 20% os dias com stress térmico
- melhora o conforto térmico e a qualidade do sono
No entanto, os benefícios tendem a ser localizados.
Assim, diminuem rapidamente fora das áreas intervencionadas.
Soluções foram cocriadas com vários stakeholders
As estratégias analisadas não foram apenas teóricas.
Ao longo de três anos, os investigadores cocriaram soluções com diferentes entidades.
Nesse sentido, participaram representantes dos 18 municípios da Área Metropolitana de Lisboa, especialistas e académicos.
Assim, o processo reforça a importância de abordagens participativas.
Soluções verdes não são suficientes
Apesar dos resultados positivos, os investigadores deixam um alerta claro.
As soluções baseadas na natureza não conseguem, por si só, compensar os impactos futuros das alterações climáticas.
Assim, estas medidas apenas atenuam parcialmente o agravamento do calor urbano.
Segundo Tiago Capela Lourenço, coautor do estudo, é necessário ir mais longe.
Além disso, reforça que reduzir emissões continua a ser essencial.
Estudo tem implicações diretas para políticas públicas
Os resultados apontam várias recomendações para o planeamento urbano.
Nesse sentido, destacam-se três prioridades:
- intervir em zonas densamente povoadas
- integrar soluções verdes e azuis de forma estratégica
- considerar o impacto nas populações mais vulneráveis
Assim, a adaptação exige uma abordagem integrada entre planeamento urbano, políticas climáticas e justiça social.
Projeto europeu reforça adaptação em Portugal
Paralelamente, a equipa do CE3C participa no projeto europeu AdaptationHubs.
Este projeto apoia a criação de um Hub de Adaptação em Portugal.
Além disso, pretende melhorar a coordenação, promover a partilha de soluções e reforçar a gestão dos riscos climáticos.
Adaptar cidades é essencial para o futuro
A adaptação ao calor urbano assume um papel cada vez mais relevante.
Nesse sentido, permite reduzir impactos a curto prazo e preparar as cidades para o futuro.
Assim, reforçar estas estratégias é essencial para construir cidades mais resilientes, sustentáveis e preparadas para os desafios climáticos.

















