Um estudo da ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável revela que o desperdício alimentar em Portugal pode atingir cerca de mil toneladas por dia.
Nesse sentido, os dados resultam de uma análise à composição dos resíduos indiferenciados no município de Ourique. Apesar de se tratar de uma amostra local, os resultados permitem estimar a dimensão do problema à escala nacional.
Estudo revela impacto significativo do desperdício doméstico
A análise indica que uma comunidade com apenas 300 habitantes pode desperdiçar até 12 toneladas de alimentos por ano.
Além disso, ao extrapolar os dados, uma cidade com 100 mil habitantes poderá gerar cerca de 3.760 toneladas de alimentos desperdiçados anualmente.
Assim, muitos destes alimentos acabam por não ser consumidos nem doados. Em vez disso, seguem para unidades de tratamento de resíduos ou são depositados em aterro.
Portugal pode desperdiçar 376 mil toneladas por ano
Com base nos dados recolhidos, a ZERO estima que o desperdício alimentar em Portugal possa atingir cerca de 376 mil toneladas por ano.
Ao mesmo tempo, este valor corresponde a cerca de 38 kg por habitante por ano.
Assim, este cenário levanta não só questões ambientais, mas também económicas, uma vez que representa um desperdício significativo de recursos financeiros.
Metodologia combina análise técnica e comparação internacional
O estudo baseou-se na caracterização física dos resíduos indiferenciados, seguindo as normas técnicas definidas na legislação portuguesa.
No entanto, esta metodologia não permite distinguir claramente o desperdício alimentar dos restos inevitáveis.
Por isso, a equipa complementou a análise com metodologias utilizadas em regiões como a Catalunha e o País Basco.
Dessa forma, foi possível separar efetivamente os resíduos evitáveis dos inevitáveis.
Resultados mostram falhas na separação de resíduos
O estudo analisou resíduos provenientes de três circuitos porta-a-porta, num total de 250 kg.
Nesse sentido, os dados mostram que 51% dos resíduos indiferenciados são biorresíduos.
Além disso, o desperdício alimentar representa 28% dos biorresíduos e 16% do total de resíduos analisados.
Ao mesmo tempo, os investigadores identificaram alimentos descartados ainda em condições de consumo, como frutas, legumes, pão e refeições prontas.
Assim, mesmo quando existe recolha seletiva, as famílias continuam a descartar uma quantidade significativa de alimentos no lixo indiferenciado.
Abordagem Zero Waste propõe soluções concretas
Face a estes dados, a ZERO propõe um conjunto de medidas alinhadas com a abordagem Zero Waste.
Nesse sentido, estas ações podem ser aplicadas tanto por municípios como por empresas e instituições.
Entre as principais medidas destacam-se:
- desenvolvimento de programas de sensibilização em escolas e comunidades
- promoção da doação de excedentes alimentares
- realização regular de análises aos resíduos
- implementação de planos de combate ao desperdício nas empresas
- eliminação de critérios estéticos na venda de frutas e legumes
Assim, estas ações visam reduzir o desperdício e promover uma gestão mais eficiente dos recursos.
Conhecer os resíduos é essencial para mudar comportamentos
O caso de Ourique demonstra que a recolha seletiva, por si só, não resolve o problema.
Por isso, torna-se fundamental conhecer a composição dos resíduos indiferenciados.
Além disso, este diagnóstico permite identificar padrões de consumo e desperdício.
Ao mesmo tempo, apoia a definição de políticas públicas mais eficazes a nível local.
Assim, compreender o problema é o primeiro passo para reduzir o desperdício alimentar em Portugal.

















