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Comunicação e sustentabilidade ambiental em debate em conferência internacional

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Com o objetivo de promover “a partilha e o debate sobre pesquisas de comunicação e responsabilidade ambiental” realizou-se a primeira Conferência Internacional de Comunicação e Sustentabilidade Ambiental (ICCESUS). A iniciativa organizada pelo Instituto Politécnico de Viseu, em parceria com o Camões – Instituto da Cooperação e da Língua e Associação de Defesa do Património de Mértola, realizou-se online e juntou especialistas nacionais e internacionais de renome.

A conferência teve como orador principal Xavier Font, professor de Marketing de Sustentabilidade na Universidade de Surrey e na Universidade Ártica da Noruega, que investiga e desenvolve métodos de produção e consumo turístico sustentável, sendo, também, consultor na área do turismo sustentável de diversas entidades de renome como as Nações Unidas, a International Finance Corporation, a Comissão Europeia, a VisitEngland, a Fáilte Ireland, a VisitWales, a VisitScotland e a WWF, entre outras.

Durante dois dias, estiveram em debate, em sessões dinamizadas em português e/ou em inglês, temas como: Práticas de Sustentabilidade; Economia Circular; Cidades Sustentáveis; Marketing Sustentável; Turismo Sustentável; Comunicar sustentabilidade aos consumidores; Tendências do consumidor em questões ambientais; Preocupações ambientais do consumidor; Marcas e empresas ecológicas; Reciclagem e gestão de resíduos; Sustentabilidade e comunicação nas redes sociais; entre outros.

COMUNICAÇÃO E MARKETING DE TURISMO SUSTENTÁVEL EM DESTAQUE

Xavier Font, durante a sua apresentação sobre Comunicação e Marketing de Turismo Sustentável, destacou o facto de ser imperativo reduzir o impacto ambiental e social provocado pelas viagens. Abordou o facto dos consumidores quererem ser mais verdes, mas sem terem que se esforçar muito, sendo essencial que as marcas/empresas repensem e criem serviços luxuosos, que proporcionem uma experiência única ao consumidor, sem gerar desperdício e que sejam mais sustentáveis.

Quanto aos destinos turísticos sustentáveis, o Professor referiu ser necessário perceber a percentagem de serviços de turismo certificados como sustentáveis, pois muitos comunicam-se como tal, mas poucos têm ações nas suas estratégias para pôr em prática.

Destacou, ainda, como fundamental que estes destinos utilizem o indicador da pegada de carbono por transporte do turista por dia, de forma a avaliar o custo-benefício, o impacto ambiental das viagens dos turistas e criar estratégias de comunicação e marketing que sejam adequadas. Salientando que quanto menor for a distância da viagem do turista, maior é a probabilidade de o mesmo ter uma estadia mais prolongada, ao contrário de um turista que faz uma viagem mais longa e que, eventualmente, gastará mais dinheiro, irá acabar por ter uma estadia mais curta, sendo a sua pegada de carbono e o impacto ambiental desproporcional à sua estadia.

Perante as estratégias de marketing, destacou o facto do sentimento de culpa não ser motivo que leve as pessoas a comprarem produtos sustentáveis. Referindo que as marcas devem encontrar formas de tornar os produtos/serviços mais fáceis de encontrar, demonstrar que têm o mesmo preço que os que são menos verdes, que são convenientes e que têm algo único. Isto irá fazer com que os consumidores comprem por qualidades que não a sustentabilidade, mas que tenham uma pegada ecológica mais positiva.

O Professor destacou, ainda, o facto de existir disparidade na estratégia de comunicação das ações de sustentabilidade dos hotéis, uma vez que muitos não divulgam as ações sustentáveis por receio de parecerem menos competentes aos olhos dos turistas, enquanto outros fazem greenwashing para parecerem mais legítimos.

Xavier Font finalizou a intervenção explicitando alguns dos benefícios do marketing de sustentabilidade: reduzir os impactos, atrair mais consumidores, melhorar a satisfação do consumidor, aumentar os gastos do cliente, aumentar a lealdade da marca e reduzir a sazonalidade.

A preocupação com a sustentabilidade ambiental e a forma de repensar práticas e comportamentos mais responsáveis é fundamental nos processos de gestão e comunicação de diversas entidades, sejam públicas ou privadas, sendo também um dever dos cidadãos.