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Barreiras artificiais nos rios europeus prejudicam espécies e habitats

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Os rios da Europa estão extremamente fragmentados devido, essencialmente, a pequenas barreiras artificiais existentes. Esta foi a conclusão do estudo “More than on million barriers fragment Europe’s rivers”, publicado na revista científica Nature, que estima que existam mais de um milhão de barreiras, como barragens, em 36 países europeus.

Este é o primeiro estudo que abrange a fragmentação dos rios da Europa e verificou que Portugal está entre os países que apresentam maior incidência entre o número de barreiras em inventários e as que existem na realidade.

De acordo com os investigadores, em Portugal compilaram-se dados de 1197 barreiras artificiais, no entanto, segundo estimativas reveladas pelos mesmos, haverá cerca de 16 mil, representando uma grande diferença comparativamente aos restantes países analisados.

PAÍSES COM MAIOR E MENOR DENSIDADE DE BARREIRAS

Segundo os investigadores a área com maior densidade é, sem sombra de dúvidas, a Europa Central, uma vez que corresponde a áreas com maior afetação populacional, de estradas e são as zonas onde o consumo de água é maior.

O crescente número de barreiras pode dificultar a “movimentação de algumas espécies, interromper o transporte de sedimentos e reter água. Pode alterar a hidrologia natural dos rios ou até mesmo a temperatura e a qualidade da água”, destaca Carlos Garcia de Leaniz, investigador deste estudo.

O estudo releva ainda que a Escandinávia e a Islândia estão, até ao momento, relativamente livres de fragmentações, uma vez que se localizam em zonas mais remotas e com menos população. Contudo, destaca ainda que nenhum rio europeu está livre destes fragmentos.

Por fim, no artigo é realçada a importância do esforço global para ser possível cartografar as pequenas barreiras que se localizam ao longo de todos os rios do mundo. Pois, embora a comunidade global pense que as grandes barragens são as que têm o maior impacto para a biodiversidade e para os ecossistemas, as estruturas mais pequenas, como são desconhecidas, são mais difíceis de detetar e mais problemáticas para o Planeta.

É, por isso, necessário a implementação de medidas concretas em Portugal e no mundo que possam, efetivamente, monitorizar de forma adequada os rios. A proteção das espécies e dos seus habitats depende disso.