Um estudo recente revela que a solução para combater a doença da tinta pode estar no ADN dos castanheiros.
A investigação, liderada por Susana Serrazina, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (Ciências ULisboa) e do BioISI, abre novas possibilidades para enfrentar esta praga.
Entre as soluções em análise, destaca-se a possibilidade de desenvolver uma abordagem semelhante a uma “vacina” para proteger as árvores.
Doença já destruiu um milhão de castanheiros
A doença da tinta é uma infeção grave que afeta os castanheiros.
É provocada por microrganismos presentes no solo, que infetam as árvores através das raízes.
O problema agrava-se porque, quando surgem sinais visíveis no tronco ou nas folhas, já não é possível salvar a árvore.
Nos últimos 20 anos, esta doença destruiu cerca de um milhão de castanheiros em Portugal.
Por isso, o impacto é significativo, sobretudo em regiões onde este cultivo tem importância económica e social.
Nem todos os castanheiros reagem da mesma forma
Os investigadores analisaram duas espécies distintas:
- o castanheiro europeu, valorizado pelo fruto
- o castanheiro japonês, conhecido pela resistência à doença
A partir desta comparação, a equipa identificou diferenças importantes na resposta à infeção.
Em laboratório, os cientistas observaram que o castanheiro japonês ativa determinados genes de defesa mais cedo.
Por outro lado, o castanheiro europeu ativa esses mesmos mecanismos mais tarde ou de forma menos eficaz.
Genes podem ajudar a travar a doença
Os resultados mostram que a resistência à doença está ligada ao comportamento genético das plantas.
Segundo Susana Serrazina, existem genes específicos que permitem ao castanheiro japonês reagir mais rapidamente à infeção.
Este conhecimento representa um passo importante para combater o agente responsável pela doença, conhecido como Phytophthora cinnamomi.
Novas soluções em estudo
Atualmente, não existem tratamentos químicos eficazes para esta doença.
No entanto, este estudo abre caminho para novas abordagens.
Entre as possibilidades identificadas estão:
- utilização de proteínas para ativar antecipadamente as defesas da planta
- identificação de árvores mais resistentes através de marcadores genéticos
- desenvolvimento de novas variedades através de edição genética
Estas soluções podem permitir uma resposta mais eficaz e sustentável ao problema.
Investigação envolveu várias entidades
O estudo foi publicado na revista científica BMC Genomics.
Além da equipa da Ciências ULisboa, participaram investigadores de várias instituições nacionais e internacionais.
Entre elas incluem-se o INIAV, a Missão Biológica da Galiza e a Universidad Politécnica de Madrid.
Um passo importante para proteger o setor
A doença da tinta continua a ser um dos principais desafios para a produção de castanha em Portugal.
Neste contexto, compreender os mecanismos naturais de resistência pode fazer a diferença.
Mais do que tratar, o objetivo passa por prevenir. E, nesse caminho, o ADN dos castanheiros pode ser a chave.

















