A inteligência artificial está a transformar rapidamente a forma como as empresas operam.
No entanto, um novo estudo da Deloitte alerta: as organizações que atrasarem a integração da IA nas suas operações arriscam perder competitividade.
Adoção da IA está a acelerar
De acordo com o estudo “The State of AI in the Enterprise: The Untapped Edge”, a adoção de inteligência artificial continua a crescer.
Atualmente, 60% dos trabalhadores já utilizam ferramentas de IA autorizadas pelas empresas.
Este valor representa um aumento significativo face ao ano anterior.
Além disso, 75% das organizações planeiam implementar agentes autónomos nos próximos dois anos.
Empresas ainda estão na fase de experimentação
Apesar deste crescimento, muitas organizações continuam numa fase inicial.
A maioria utiliza a IA sobretudo para melhorar a eficiência e otimizar tarefas.
No entanto, poucas avançaram para uma verdadeira transformação do negócio.
Ainda assim, algumas empresas começam a encarar este momento como decisivo para redefinir modelos operacionais e formas de trabalho.
IA exige mudança profunda nas organizações
A integração da IA não se limita à adoção de tecnologia.
Pelo contrário, exige uma revisão dos processos, das funções e dos modelos de governance.
Segundo o estudo, apenas uma parte das organizações está preparada para essa transformação.
Cerca de um terço dos inquiridos considera que a IA já está a ter impacto significativo.
Outros antecipam essa mudança num prazo de até três anos.
Agentic AI ganha destaque, mas governance fica para trás
Um dos principais destaques do estudo é o crescimento da chamada Agentic AI.
Esta tecnologia baseia-se em agentes autónomos capazes de tomar decisões e executar tarefas.
Embora 75% das empresas planeiem adotar estes sistemas, apenas 21% afirmam ter modelos de governance preparados.
Em Portugal, a realidade ainda é inicial:
- 40% das empresas não utilizam Agentic AI
- 27% têm utilização mínima
- 27% apresentam uso moderado
IA soberana e IA física ganham relevância
O estudo identifica também duas tendências emergentes.
Por um lado, a IA soberana ganha importância estratégica.
Atualmente, a maioria das empresas considera o país de origem dos fornecedores ao escolher soluções tecnológicas.
Por outro lado, a IA física, aplicada a robótica e automação, está a crescer rapidamente.
A adoção poderá atingir 80% das organizações nos próximos dois anos.
Falta de competências trava adoção
A escassez de competências surge como o principal obstáculo à integração da IA.
Por esse motivo, muitas empresas apostam na formação.
Ainda assim, a maioria não redesenhou funções ou modelos de trabalho com base na tecnologia.
Ao mesmo tempo, as expectativas de automação são elevadas.
Uma parte significativa das empresas antecipa mudanças profundas no emprego nos próximos anos.
Desafio continua na passagem de pilotos para produção
Apesar do aumento de projetos-piloto, poucas organizações conseguem escalar soluções de IA.
Apenas 25% colocaram uma parte significativa dos seus projetos em produção.
Ainda assim, existe otimismo quanto à evolução nos próximos meses.
IA já melhora produtividade, mas transformação é limitada
A maioria das empresas já utiliza IA para aumentar a produtividade.
No entanto, apenas uma minoria a usa para transformar profundamente o negócio.
Muitas continuam a aplicar a tecnologia de forma superficial, sem alterar processos estruturais.
Valor da IA está na transformação, não só na eficiência
O estudo conclui que o verdadeiro potencial da IA vai além da eficiência.
A tecnologia pode criar diferenciação estratégica e vantagem competitiva duradoura. Para isso, as organizações terão de repensar processos, modelos operacionais e a própria natureza do trabalho.

















