Por Teresa Juncal Pires – Diretora da Essência do Ambiente
Comunicar sustentabilidade é um exercício cada vez mais exigente. Já não se trata de escolher bem as palavras ou de construir uma narrativa inspiradora. Trata-se de saber o que dizer porque se sabe, com rigor, o que está a acontecer na nossa empresa ou instituição.
Em 2026, comunicar sustentabilidade sem dados deixou de ser apenas frágil. Passou a ser um risco. Investidores, clientes, parceiros e entidades públicas exigem evidência, contexto e coerência. As intenções contam pouco quando não são acompanhadas por métricas claras e verificáveis.
A sustentabilidade deixou, por isso, de ser voluntária e passou a ser estrutural. As exigências regulatórias, a pressão da cadeia de valor e o escrutínio reputacional criaram um novo enquadramento. Mesmo organizações que não estão diretamente abrangidas por obrigações legais sentem esse impacto de forma indireta. Quem fornece, quem concorre, quem comunica, acaba por ter de responder.
É neste contexto que os dados assumem um papel central. Não como um fim em si mesmos, mas como base para decisões informadas e para uma comunicação responsável. Sem diagnóstico, a comunicação torna-se especulativa. Sem métricas, transforma-se em opinião. E opinião, quando apresentada como facto, fragiliza a credibilidade.
A análise de dupla materialidade surge aqui como um ponto de viragem. Ao cruzar o impacto do negócio no ambiente e na sociedade com os riscos e oportunidades que esses temas representam para a própria organização, deixa de ser possível comunicar tudo. Passa a ser necessário comunicar o que é realmente relevante. Este exercício obriga a escolhas e as escolhas obrigam a estratégia.
Os relatórios de sustentabilidade refletem bem esta mudança. Durante muito tempo foram encarados como exercícios reputacionais. Hoje, são instrumentos de gestão, transparência e tomada de decisão. Quando bem estruturados, permitem compreender onde a organização está, o que fez, o que conseguiu provar e o que ainda precisa de melhorar. Quando mal trabalhados, revelam-se rapidamente inconsistentes, sobretudo quando descrevem iniciativas sem métricas, omitem dificuldades ou não estão ligados a um plano estratégico claro.
Transformar dados em comunicação não significa torná-los complexos ou inacessíveis. Significa traduzi-los. Explicar o que foi medido, como foi medido e o que esses resultados significam. Significa assumir limites, contextualizar melhorias e reconhecer que a sustentabilidade é um caminho em construção, não um estado alcançado.
A comunicação tem aqui um papel determinante, mas exige maturidade. Não pode antecipar a ação nem substituir a estratégia. A comunicação amplifica, mas só amplifica o que é verdadeiro, material e consistente. Quando tenta ir além disso, expõe fragilidades que rapidamente se tornam visíveis.
Em 2026, as organizações que comunicam sustentabilidade com credibilidade são aquelas que começam pelos dados, passam pela estratégia e só depois constroem a narrativa. Não comunicam tudo, comunicam o que importa. Não prometem perfeição, demonstram progresso.
Porque, no final, sustentabilidade sem dados é apenas opinião. Com dados, torna-se estratégia. E é essa diferença que hoje separa a comunicação responsável da comunicação arriscada.

















