À medida que aumentam as preocupações com o custo de vida, o impacto ambiental e o equilíbrio psicológico, cada vez mais pessoas estão a repensar a forma como vivem, consomem e acumulam bens. Neste contexto, a prática do decluttering, que consiste em libertar a casa e a rotina do que já não é utilizado, surge como uma resposta prática e consciente aos desafios do quotidiano.
A tendência conhecida como “living more with less”, amplamente difundida nas redes sociais, reflete uma mudança cultural mais profunda. Em vez de priorizar a acumulação, muitas pessoas optam por casas mais funcionais, rotinas mais simples e escolhas de consumo alinhadas com os seus valores pessoais. O foco deixa de estar na compra constante para passar a centrar-se numa utilização mais eficiente dos recursos, no prolongamento da vida útil dos produtos e na valorização do que já existe.
O processo de simplificação começa, muitas vezes, com pequenas decisões. Organizar e reduzir excessos não implica mudanças radicais imediatas, mas sim um método consciente e estruturado. Uma das abordagens mais eficazes passa por separar os bens por categorias e não por divisões da casa, reunindo, por exemplo, toda a roupa, livros ou objetos tecnológicos num único momento. Avaliar o uso real de cada objeto é outro passo essencial, questionando se foi utilizado no último ano e se justifica ocupar espaço. Por fim, evitar o desperdício torna-se uma prioridade, privilegiando a doação, a venda ou a reutilização em vez do descarte.
Neste contexto, as plataformas digitais de segunda mão assumem um papel relevante. Soluções como a Wallapop permitem que objetos em bom estado encontrem novos utilizadores, prolongando o seu ciclo de vida, reduzindo o desperdício e possibilitando ainda a recuperação de algum valor económico.
Mais do que uma tendência de organização, viver com menos afirma-se como uma nova forma de luxo. Espaço, tempo e leveza tornam-se bens cada vez mais valorizados. Simplificar não significa abdicar, mas sim ganhar clareza, bem-estar e maior controlo sobre as escolhas do dia a dia. Num mundo marcado pelo excesso, a decisão de reduzir pode ser um passo fundamental para uma vida mais equilibrada, consciente e sustentável.

















