Comissão Europeia lança “Roteiro para os Créditos da Natureza” para impulsionar investimento privado na biodiversidade

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A Comissão Europeia apresentou esta semana o “Roteiro para os Créditos da Natureza”, uma nova estratégia que visa criar um mercado transparente e fiável de créditos naturais, mobilizando investimento privado em ações que protejam, restaurem e preservem a biodiversidade. A iniciativa surge como resposta à crescente necessidade de financiamento para atingir as metas europeias de conservação, estimadas em 65 mil milhões de euros por ano.

Os chamados créditos da natureza permitem recompensar empresas, instituições financeiras, entidades públicas e cidadãos que invistam diretamente em ações positivas para a natureza – como a restauração de zonas húmidas, reflorestação ou conservação de habitats – garantindo benefícios tangíveis como ecossistemas mais resilientes, redução de riscos, melhoria da reputação corporativa e aceitação social dos projetos.

A certificação destas ações será feita por organizações independentes, conferindo credibilidade e segurança aos investidores. Estes créditos representam, assim, uma nova forma de colocar a natureza “no balanço”, como afirmou a Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen:

“Quando bem concebidos, os créditos naturais proporcionarão um instrumento eficiente e orientado para o mercado, que incentivará o setor privado a investir e a inovar. Com investimento e inovação, geramos receitas para aqueles que trabalham para proteger a natureza, incluindo os nossos agricultores, proprietários de terras e silvicultores.”

Uma oportunidade para a biodiversidade e para a economia rural

Além de restaurar ecossistemas e reforçar a resiliência dos territórios, os créditos da natureza poderão gerar novas fontes de rendimento para agricultores, pescadores, silvicultores e comunidades locais, promovendo práticas sustentáveis e compensando financeiramente os esforços de preservação da natureza.

Com cerca de 75% das empresas da zona euro dependentes da natureza, a criação de um mercado de créditos naturais surge como uma ferramenta inovadora para alinhar os interesses económicos com a urgência da conservação ambiental. A Comissão Europeia sublinha que, sem adaptação, os riscos associados às alterações climáticas poderão representar até 7% de perda anual nos lucros das empresas europeias na próxima década.

Financiamento misto e participação ativa

A Comissão Europeia comprometeu-se a canalizar 10% do orçamento da UE para a biodiversidade até 2026/2027 e a duplicar a sua despesa externa nesta área para 7 mil milhões de euros. No entanto, para alcançar os objetivos a uma escala significativa e com rapidez, será necessário combinar financiamento público com investimento privado.

Para garantir um processo transparente e inclusivo, foi hoje lançado um convite à manifestação de interesse para integrar o futuro grupo de peritos da Comissão Europeia, que irá apoiar o desenvolvimento técnico e ético dos créditos naturais. As candidaturas para a primeira fase de seleção estão abertas até 10 de setembro, e as propostas sobre o Roteiro podem ser apresentadas até 30 de setembro de 2025.

A Comissão espera que o “Roteiro para os Créditos da Natureza” promova um verdadeiro ponto de viragem, criando um ecossistema de investimento onde preservar a biodiversidade se torne não só uma responsabilidade ambiental, mas também uma oportunidade económica concreta para os diferentes setores da sociedade.