A construção de uma nova unidade industrial dedicada à produção de combustível sustentável para a aviação (SAF – Sustainable Aviation Fuel) vai arrancar em Delfzijl, nos Países Baixos, após a conclusão do processo de financiamento do projeto liderado pela SkyNRG. A futura fábrica será a primeira no país totalmente dedicada à produção deste tipo de combustível alternativo e deverá entrar em funcionamento em 2028, com uma capacidade anual estimada de 100 mil toneladas.
O projeto representa um passo relevante na tentativa de reduzir o impacto climático do setor da aviação, considerado um dos mais difíceis de descarbonizar. O combustível sustentável para a aviação surge como uma das soluções atualmente disponíveis para diminuir as emissões associadas ao transporte aéreo, apresentando uma redução significativa do impacto de carbono ao longo do seu ciclo de vida quando comparado com o combustível convencional.
A iniciativa resulta de uma colaboração entre diferentes entidades do setor energético e da aviação, envolvendo investimentos e compromissos de fornecimento de longo prazo que permitiram viabilizar financeiramente a infraestrutura. O desenvolvimento do projeto teve início há mais de uma década, refletindo a complexidade técnica, regulatória e financeira associada à criação de novas cadeias de produção de combustíveis alternativos.
Apesar do avanço, especialistas e promotores reconhecem que o aumento da produção de SAF continua a enfrentar desafios relacionados com custos, escala industrial e enquadramento político. A expansão deste mercado dependerá, em grande medida, de políticas públicas de incentivo e de mecanismos que promovam a procura e tornem o combustível mais competitivo face às alternativas fósseis.
A União Europeia definiu metas progressivas para a incorporação de combustíveis sustentáveis na aviação, incluindo objetivos de mistura obrigatória até ao final da década, o que deverá impulsionar novos investimentos neste setor. Ainda assim, a disponibilidade de SAF permanece limitada, sendo necessária a multiplicação de projetos semelhantes para responder às necessidades futuras da indústria aérea. O desenvolvimento da unidade de Delfzijl evidencia, assim, o papel crescente da cooperação entre indústria, investidores e decisores públicos na aceleração da transição energética no setor da aviação, num contexto em que a redução das emissões se tornou um dos principais desafios da mobilidade global.

















