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UNICEF: subnutrição aumenta em crianças e a seca é uma das causas

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De acordo com a UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) a combinação de choques globais com a insegurança alimentar, assim como as condições de seca persistente em alguns países, devido às alterações climáticas, estão a criar condições para um aumento significativo dos níveis globais de subnutrição aguda grave nas crianças. Situações que levam as crianças a apresentarem pesos demasiado baixos para as suas alturas e cujos sistemas imunitários estão enfraquecidos. Estes são alertas apresentados pela UNICEF no relatório “Severe wasting: An overlooked child survival emergency” lançado recentemente. 

Desde o início do ano, a escalada da crise alimentar global levou a que 260.000 crianças adicionais – ou uma criança a cada 60 segundos – viessem a sofrer perda de peso severa em 15 países afetados pelo impacto desta crise de forma particular, inclusive no Corno da África e na Região do Sahel. Atualmente, pelo menos 10 milhões das crianças que se encontram gravemente subnutridas – ou duas em cada três – não têm acesso ao tratamento mais eficaz, através de Alimento Terapêutico pronto a Usar (RTUTF) – uma pasta à base de amendoim enriquecida com nutrientes.

É URGENTE REVERTER A SUBNUTRIÇÃO NAS CRIANÇAS

Ao mesmo tempo, os custos dos tratamentos que as salvam vidas estão a aumentar e o respetivo financiamento global está ameaçado. Lamentavelmente, a ajuda financeira ao combate à subnutrição permanece abaixo do necessário e a previsão é que continue a diminuir nos próximos anos, sendo a expectativa de que não se verifique uma recuperação para os níveis pré-pandémicos antes de 2028. 

Entretanto, prevê-se que o preço do RTUTF aumente cerca de 16%, durante os próximos seis meses, devido à subida acentuada do custo dos ingredientes. Este aumento poderá significar que mais de 600.000 crianças vão ficar sem acesso a este tratamento que salva vidas. Além do custo dos ingredientes, é também esperado que os custos de transporte e distribuição se mantenham elevados. 

Para conseguir chegar a mais crianças com diagnóstico e tratamento vital de subnutrição aguda grave, a UNICEF Portugal lança agora um apelo de forma a sensibilizar e angariar fundos que permitam o acompanhamento de crianças e das suas famílias no âmbito dos Programas para o Desenvolvimento locais, num esforço para salvar vidas diariamente. 

Beatriz Imperatori, Directora Executiva da UNICEF Portugal, afirma que “para milhões de crianças, por ano/todos os anos, este Alimento Terapêutico significam a diferença entre a vida e a morte. Um aumento de preços de 16% pode parecer controlável no contexto dos mercados alimentares globais, mas no final dessa cadeia de abastecimento está uma criança desesperadamente subnutrida, para quem os riscos não são de todo controláveis.” Salientando que “estamos a viver um momento histórico e estas crianças precisam da nossa ação. Como organização financiada exclusivamente por donativos voluntários, o apelo que a UNICEF lança tem como objetivo garantir as condições para que estas crianças possam, hoje, ter acesso a uma terapêutica que pode garantir-lhes um futuro como é seu direito. Participar neste apelo é dar vida a uma criança”.

A subnutrição aguda grave é a forma de subnutrição mais grave e coloca a vida em risco. Em todo o mundo, pelo menos 13,6 milhões de crianças com menos de cinco anos sofrem de subnutrição aguda grave. Uma em cada cinco crianças com subnutrição aguda grave, com menos de cinco anos, morre. 

O Sul da Ásia continua a ser o epicentro da subnutrição aguda grave, onde cerca de 1 em cada 22 crianças sofre desta condição, três vezes mais do que na África Subsaariana. No resto do mundo, e aos dias de hoje, os países enfrentam taxas historicamente elevadas de subnutrição aguda grave. No Afeganistão, prevê-se que 1,1 milhões de crianças sofram de subnutrição aguda grave este ano, quase o dobro do número em 2018. No Corno de África, a seca sentida significa que o número de crianças com esta condição poderá aumentar rapidamente de 1,7 milhões para 2 milhões, e no Sahel prevê-se que o número de crianças com subnutrição aguda grave aumente 26%, em relação a 2018. 

“A ajuda alimentar é fundamental, mas não podemos salvar crianças famintas com sacos de trigo. Precisamos de chegar e ajudar estas crianças com tratamentos terapêuticos agora, antes que seja tarde demais”, alerta Diretora Executiva da UNICEF, Catherine Russell.

Tendo em consideração o preocupante cenário de crise alimentar a nível global, a UNICEF reforça a extrema necessidade de mais e maior ajuda monetária internacional, apelando à disponibilização de um pacote financeiro, na ordem dos 1,2 mil milhões de dólares, a ser aplicado em fornecimento de um pacote de serviços e cuidados de nutrição essenciais para evitar milhões de mortes infantis nos 15 países mais afetados pela atual crise alimentar e garantir a prioridade para a prevenção e tratamento de subnutrição aguda grave em todos os planos globais de resposta à crise alimentar.

É, desta forma, crucial adotar medidas urgentes e concretas para combater a subnutrição existente e prevenir que os números aumentem significativamente. O esforço deve ser coletivo rumo a um ambiente saudável para todos.