A gestão de resíduos continuará a ser um dos principais desafios ambientais de Portugal em 2026, segundo a Quercus. Num comunicado de balanço ambiental e de expectativas para o próximo ano, a associação ambientalista alerta para o atraso significativo do país no cumprimento das metas de reciclagem e aponta a economia circular como um dos pontos mais frágeis da política ambiental nacional.
De acordo com a Quercus, Portugal apresenta uma taxa de reciclagem cerca de 18 pontos percentuais abaixo da meta de 55% estabelecida para 2025. Apesar dos objetivos definidos a nível europeu, mais de metade dos resíduos produzidos continuam a ser depositados em aterros, muitos dos quais já se encontram no limite da sua capacidade.
Neste contexto, a associação considera o Sistema de Depósito e Reembolso (SDR) um passo importante. Este sistema, reivindicado há vários anos pela Quercus e com entrada em funcionamento prevista para abril, prevê que os consumidores paguem um depósito no momento da compra de embalagens de bebidas, valor que é devolvido quando as embalagens vazias são entregues em cerca de 2.500 máquinas instaladas em supermercados e hipermercados.
A Quercus recorda ainda que Portugal tem até 31 de julho para transpor a Diretiva do Direito à Reparação, um instrumento legal que visa reduzir a produção de resíduos, promovendo a reparação e o prolongamento da vida útil dos bens de consumo. Para a organização, esta medida será fundamental para reforçar a transição para uma economia mais circular.
Entre os temas considerados prioritários para 2026, a associação destaca também a conclusão do Plano Nacional de Restauro da Natureza e a entrada em vigor, em janeiro, do Tratado do Alto Mar, um acordo internacional destinado a reforçar a proteção da biodiversidade marinha. A Quercus sublinha igualmente a importância de continuar a mobilizar a sociedade civil em torno da utilização de pesticidas, após o recuo parcial da Comissão Europeia numa proposta considerada prejudicial para o ambiente.
A agenda ambiental de 2026 inclui ainda a regulação de novos organismos geneticamente modificados e a realização, em abril, de uma conferência na Colômbia dedicada à definição de um roteiro para a eliminação dos combustíveis fósseis, tema que ficou ausente da última Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas.
No balanço de 2025, a Quercus aponta os grandes incêndios do verão como um dos piores acontecimentos ambientais do ano. Entre os aspetos negativos, destaca também a estratégia do Governo para a água, apresentada em março, que, segundo a associação, privilegia um modelo agrícola insustentável, assente no regadio intensivo, bem como o enfraquecimento da legislação ambiental europeia, conhecido como “omnibus ambiental”.
Como notas positivas, a Quercus realça o embargo da barragem do Pisão, contestada judicialmente por várias organizações ambientais, a mobilização da sociedade civil contra megaprojetos fotovoltaicos e a criação do programa Floresta Azul – Restauro Ecológico de Pradarias Marinhas.

















