A maioria dos portugueses quer construções sustentáveis

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A sustentabilidade assume um peso crescente nas decisões dos portugueses que optam por construir casa própria, com quase 60% a afirmar que este fator teve impacto direto nas escolhas feitas ao longo do processo. Esta é uma das principais conclusões do estudo “Construção e Sustentabilidade: Necessidades, Preocupações e Desafios”, promovido pela UCI em parceria com a SPIRITUC — Investigação Aplicada, que contou com a participação de 611 pessoas de todas as regiões do país que iniciaram a construção da sua habitação.

De acordo com os resultados, a maioria dos inquiridos não só integrou preocupações ambientais nas decisões iniciais, como conseguiu concretizá-las durante a obra, com 82% a indicar que os objetivos de sustentabilidade foram totalmente cumpridos. Entre as prioridades destacam-se o isolamento térmico e a qualidade da cobertura, com vista à redução do consumo de eletricidade e aquecimento, bem como a maximização da luz e do calor natural e a obtenção de uma boa classificação energética. A resistência das habitações a desastres naturais surge também como uma preocupação relevante, considerada muito importante por mais de três quartos dos inquiridos, sendo que a maioria incluiu no projeto soluções para reforçar a resiliência das casas a fenómenos extremos.

O estudo revela ainda uma abertura crescente a novas formas de construção. Apesar de a alvenaria continuar a ser o método mais utilizado, verifica-se uma procura significativa por alternativas, como as casas modulares e as construções em madeira. Na escolha dos materiais, o preço mantém-se como o critério mais determinante, seguido do conforto e da sustentabilidade, refletindo um equilíbrio entre fatores económicos e ambientais. A maior parte das obras foi realizada por empresas de construção, contrariando a ideia generalizada de que as obras em Portugal tendem a ultrapassar os orçamentos. Entre os participantes que já concluíram a construção, mais de 86% referem que o orçamento inicialmente previsto foi respeitado, sendo as derrapagens associadas sobretudo ao aumento dos preços devido à inflação, alterações ao projeto e atrasos na obra.

Também os prazos parecem ter sido maioritariamente cumpridos, tanto na fase de construção, que apresentou um tempo médio de 414 dias, como nos processos de licenciamento e elaboração de projetos. Ainda assim, os inquiridos identificam dificuldades sobretudo na fase inicial, nomeadamente na procura de terrenos com as características e localização desejadas e na burocracia associada à aprovação dos projetos. O financiamento surge como um obstáculo menos expressivo nesta fase, embora mais de metade dos portugueses tenha recorrido a crédito para construção, com um valor médio de 189 mil euros, correspondente a cerca de dois terços do custo total da obra. A burocracia, o valor das prestações e o tempo de aprovação do crédito são apontados como os principais entraves neste processo.

A possibilidade de personalizar a habitação é o principal motivo que leva os portugueses a optar pela construção de casa própria, seguida da garantia de qualidade da construção e da oportunidade de assegurar uma casa mais sustentável. A maioria das habitações está a ser construída no distrito de residência atual, refletindo a importância da proximidade a amigos, familiares e bons acessos. No seu conjunto, os resultados do estudo demonstram que a sustentabilidade deixou de ser uma preocupação secundária e passou a integrar, de forma consistente, as decisões e práticas dos portugueses no setor da construção habitacional.