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Portugal já não produz eletricidade a partir de carvão!

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O nosso país deixou definitivamente de usar carvão para produzir eletricidade, uma vez que a Central Termoelétrica do Pego cerrou esta mesma atividade.

Segundo o comunicado da Organização Não Governativa ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável, apesar da Central do Pego estar licenciada para funcionar até 30 de novembro, a mesma esgotou o stock de carvão que tinha na passada sexta-feira, dia 19 de novembro.

O CAMINHO PARA A DESCARBONIZAÇÃO

Este é um passo histórico para a descarbonização, tema que esteve em destaque na COP26 (Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2021), onde alguns países se recusaram a acabar com o uso deste combustível.

Portugal ruma à neutralidade carbónica definida para 2050 e antecipa, assim, um dos objetivos da Agenda de 2030, ao deixar de utilizar o combustível mais poluidor em termos de emissões de gases com efeito de estufa.

O encerramento de atividade desta central irá permitir diminuir as emissões de dióxido de carbono, mas, também, “de diversos poluentes, como os óxidos de azoto, dióxido de enxofre, partículas e metais pesados, cujas quantidades lançadas para a atmosfera em Portugal sofrerão uma redução importante”, assinala a ZERO.

QUEIMA DE BIOMASSA

A utilização da queima de biomassa é uma das soluções encontradas como alternativa. No entanto, esta não será a mais sustentável, como refere a ZERO no comunicado lançado: “trata-se de uma solução ineficiente e contraditória com os objetivos de retenção do carbono na floresta e no solo e não se traduz numa significativa mais-valia face a outras soluções de mitigação climática”.

De acordo com a investigação, os impactos decorrentes da queima de biomassa para a produção de eletricidade são devastadores em termos de conservação dos solos, da capacidade de armazenamento de água e da manutenção da biodiversidade. A possibilidade de se vir a recorrer à sua queima agravaria, ainda mais, o nível de emissões de gases com efeito de estufa, uma vez que a sua utilização não é neutra, porque as emissões associadas são muito piores do que as decorrentes da queima dos combustíveis fósseis.

O Governo lançou um concurso para a reconversão da estrutura da central para o uso de fontes renováveis. O ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, em declarações à RTP3, pronunciou-se sobre o assunto, referindo “entre projetos para fabricar eletrolisadores, projetos para produzir pequenos camiões elétricos, de propulsão de hidrogénio verde, são vários os que existem para ali”. Adiantou, também, que já existem fundos comunitários para apoiar projetos de transição energética.

Apesar deste ser um grande passo para a neutralidade carbónica e para alavancar a sustentabilidade ambiental, ainda há muito a fazer a este nível, sendo necessário um esforço coletivo para adotar uma economia mais verde.