A pegada carbónica média dos portugueses é mais de três vezes superior ao valor considerado sustentável para travar o aquecimento global, segundo os resultados de um projeto europeu financiado pelo programa Horizonte Europa. Entre 2021 e 2025, o projeto PSLifestyle – Positive and Sustainable Lifestyle envolveu mais de 14 mil participantes em Portugal e cerca de 560 mil cidadãos em vários países europeus, sendo coordenado a nível nacional pela DECO.
No centro da iniciativa esteve o LifestyleTest, uma ferramenta digital concebida para calcular a pegada de carbono individual e propor ações personalizadas destinadas à redução do impacto ambiental. Os dados recolhidos em Portugal apontam para uma pegada média anual de 8.695 quilogramas de dióxido de carbono equivalente por pessoa, um valor significativamente acima da meta de 2.500 quilogramas definida em linha com o Acordo de Paris, que visa limitar o aumento da temperatura global a 1,5 graus Celsius.
Os transportes surgem como a principal fonte de emissões, representando cerca de metade da pegada total, sobretudo devido ao uso diário do automóvel e às viagens aéreas. A alimentação surge como o segundo fator mais relevante, marcada por um consumo elevado de carne e produtos lácteos. Seguem-se as compras, associadas à preferência por produtos novos, e a habitação, influenciada pela eficiência energética das casas e pelos hábitos de consumo de água e eletricidade.
Apesar do elevado nível de interesse demonstrado pelos participantes, a mudança efetiva de comportamentos revelou-se limitada. Foram criados mais de 1.100 planos de ação personalizados, mas apenas uma pequena parte das medidas propostas foi registada como concluída. Ações simples, como secar a roupa ao ar livre ou separar corretamente os resíduos, tiveram maior adesão, enquanto alterações nos hábitos alimentares, como a redução do consumo de carne, enfrentaram maior resistência. Entre os principais obstáculos identificados estão os custos associados, a falta de oferta local e dificuldades práticas na implementação das mudanças no dia a dia.
O projeto incluiu ainda a realização de laboratórios vivos, workshops em escolas, empresas e comunidades, campanhas de sensibilização nas redes sociais e parcerias com municípios, universidades e organizações locais. Em Portugal, a iniciativa envolveu centenas de ações de sensibilização e beneficiou de ampla cobertura mediática.
Como legado, o PSLifestyle lançou o LifestyleData, uma das maiores bases de dados públicas europeias sobre comportamentos sustentáveis, criada para apoiar decisores políticos, investigadores e empresas no desenvolvimento de soluções mais eficazes. Para a DECO, os resultados do projeto evidenciam que a transição ecológica não depende apenas das escolhas individuais, mas exige políticas públicas que criem alternativas reais, sobretudo nas áreas da mobilidade e do consumo, permitindo aos cidadãos adotar estilos de vida mais sustentáveis e alinhados com os objetivos climáticos.

















