Life Lines ajuda a preservar a biodiversidade biológica

Life Lines | Essência do Ambiente

Com o objetivo de ensaiar, avaliar e disseminar medidas destinadas a mitigar efeitos negativos das infraestruturas lineares em várias espécies de fauna e, simultaneamente, promover a criação de uma Infraestrutura Verde de suporte ao incremento e conservação da biodiversidade,  surge o projeto LIFE LINES – Rede de Infraestruturas Lineares com Soluções Ecológicas. Uma iniciativa que envolve a parceria da entidade Infraestruturas de Portugal SA, as Câmaras Municipais de Évora e Montemor-o-Novo, a ADL – Associação de Desenvolvimento Local, a Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza e as Universidades de Aveiro e do Porto, com a coordenação da Universidade de Évora.

O projeto destina-se a solucionar um conjunto de problemas identificados nas mais diversas infraestruturas como a redução da conetividade, mortalidade e efeito barreira das infraestruturas, mortalidade por electrocução, ausência de refúgios e corredores, escassez de informação para a gestão e disseminação, deteção e controlo de flora invasora.

António Mira, coordenador do projeto LIFE LINES, afirma que “os atropelamentos afetam toda a fauna terrestre. Contudo, alguns grupos, pelas suas características, podem correr um maior risco. Por exemplo, extinções locais ou declínios significativos de populações de sapos, rãs e salamandras têm sido documentados em várias regiões do mundo.” Salientando, “no nosso estudo, em anos com maiores períodos de chuva, este é em geral o grupo com maior número de registos de atropelamentos. As corujas são também bastante afetadas e os atropelamentos contribuem para o declínio de algumas espécies, como por exemplo, a coruja-das-torres. O lince-ibérico é outra espécie onde a colisão com veículos é preocupante. Até 2020 foram libertados na natureza 47 animais. Destes e das suas crias, pelo menos 12 morreram atropelados.”

SOLUÇÕES ECOLÓGICAS ATUAM PARA CONSERVAR A BIODIVERSIDADE

O LIFE LINES é um projeto que atua sobre diversas estruturas e para vários grupos faunísticos e, por isso, intervém para preservar a biodiversidade nas estradas, nas ferrovias e nas linhas de distribuição de eletricidade de média tensão.

No caso das estradas, das ações implementadas salientam três soluções diferentes apenas para áreas com elevada taxa de mortalidade de corujas por atropelamento. A colocação de um refletor adicional, de uma rede metálica de malha apertada e uma barreira natural através da plantação de duas faixas de medronheiros que, quando crescerem, produzem o mesmo efeito que as barreiras de rede metálica.

No que diz respeito às ferrovias desativadas, definiram-se zonas onde se promove a plantação e conservação de vegetação autóctone (herbáceas e arbustivas) e que potencia a criação de refúgios e zonas de alimentação para borboletas e pequenos roedores.

Nas linhas de distribuição de eletricidade de média tensão foi desenvolvida uma solução para reduzir a elevada taxa de mortalidade de aves por colisão e por eletrocussão. O protótipo inovador, designado de “Eco Esteira Horizontal”, foi colocado no topo dos apoios e promove a minimização destes dois problemas em simultâneo: a colisão com os cabos, ao reduzir apenas para um plano horizontal o risco de colisão das aves, e a eletrocussão, através do alargamento das distâncias de segurança entre os cabos, isolamento dos arcos e das pinças de amarração.

Quando questionado sobre o que Portugal precisa para conservar mais e melhor a biodiversidade, António Mira, refere que “falta uma maior consciencialização dos decisores e do público em geral da importância da biodiversidade para a nossa qualidade de vida. Dependemos dela para obter alimentos, vários tipos de materiais, medicamentos, controlo biológico de pragas, polinização de culturas, entre outras.” Salientando, “enquanto a sociedade em geral não interiorizar o valor intrínseco da biodiversidade e não perceber o quanto dependemos dela, a vertente económica será a que mais pesa na decisão política e a conservação da biodiversidade não será uma prioridade. Felizmente a pouco e pouco as coisas estão a mudar para melhor e um exemplo disso são a Estratégias Nacional e Europeia de Biodiversidade 2030, que propõem objetivos mais ambiciosos para a conservação da biodiversidade.”

Este é mais um exemplo de um projeto que ajuda, efetivamente, a preservar a biodiversidade do meio ambiente. Através da implementação de medidas concretas, como a Infraestrutura Verde, é possível cada vez mais caminhar para patamares favoráveis na proteção da natureza.

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