Greenpeace alerta para urgência na prevenção de cheias e critica resposta centrada apenas na emergência 

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A Greenpeace defende a necessidade urgente de reforçar medidas de prevenção e adaptação face ao aumento das cheias em Portugal. A organização alerta que a resposta às emergências não pode continuar a substituir o planeamento estrutural do território.

Segundo a associação ambiental, as alterações climáticas, a construção em zonas inundáveis e a artificialização dos rios explicam o agravamento do impacto das recentes tempestades.

Após a passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, prolonga-se um período marcado por fenómenos meteorológicos extremos. Estes episódios têm provocado destruição e prejuízos em várias regiões da Península Ibérica.

Para a Greenpeace, este encadeamento de eventos demonstra a necessidade de apostar na prevenção. Entre as principais medidas estão o reforço dos sistemas de alerta, a revisão dos planos de ordenamento urbano e a recuperação dos ecossistemas naturais.

Além da mitigação da crise climática, essencial para evitar cenários mais graves e proteger vidas, a organização considera fundamental acelerar políticas de adaptação. Nesse sentido, defende a redução das emissões de gases com efeito de estufa e o abandono progressivo dos combustíveis fósseis.

Território mais vulnerável às cheias

As cheias registadas no rio Tejo, sobretudo no distrito de Santarém, e no rio Sado, em Alcácer do Sal, voltam a expor a vulnerabilidade do território português perante episódios de precipitação intensa.

De acordo com a Greenpeace, intervenções humanas como a canalização dos rios, a artificialização das margens e a impermeabilização urbana reduziram a capacidade natural do solo para absorver e dissipar a água.

Além disso, a eliminação de planícies de inundação e zonas ribeirinhas para construção de infraestruturas e habitação destruiu a chamada “esponja natural” do território. Como consequência, as inundações tornam-se mais graves sempre que ocorrem chuvas intensas.

“Quando há operações de resgate e famílias são obrigadas a abandonar as suas casas, percebemos que não basta reagir à emergência”, afirma o diretor da Greenpeace Portugal. Por isso, a organização defende que não deve continuar a permitir construção ou reconstrução em zonas de risco. Atualmente, dezenas de milhares de pessoas vivem em áreas suscetíveis a cheias.

Da resposta à emergência à prevenção estrutural

A organização ambiental considera que Portugal permanece num ciclo de reação às catástrofes. Por essa razão, defende uma revisão urgente dos instrumentos de ordenamento do território.

Esta avaliação deverá incluir não só o risco de cheias fluviais, mas também a inundação pluvial associada à acumulação de água da chuva e à capacidade dos sistemas de drenagem urbana.

Para Toni Melajoki Roseiro, “a prevenção tem de ser vinculativa, com regras claras aplicadas ao ordenamento do território e proteção efetiva das planícies de inundação”. O responsável sublinha que as cheias não são uma fatalidade, mas sim uma questão de gestão territorial.

Soluções baseadas na natureza

Como resposta estrutural, a Greenpeace propõe a implementação de soluções baseadas na natureza e o cumprimento do Regulamento Europeu de Restauro da Natureza.

A organização considera essencial recuperar zonas húmidas, margens ribeirinhas, planícies de inundação e massas florestais ao longo dos cursos de água para reduzir danos e aumentar a resiliência do território.

Segundo a Greenpeace, permitir que a água encontre vias naturais de escoamento diminui riscos para pessoas, infraestruturas e serviços essenciais. Assim, a organização defende uma mudança de paradigma: abandonar a chamada “política do betão” e avançar para uma transição hidrológica justa, capaz de recuperar a saúde dos aquíferos e devolver aos rios a sua liberdade de movimento.