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Gás Natural Liquefeito como combustível: uma ajuda ou uma ameaça?

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Nos últimos anos, as alterações climáticas passaram de um perigo a uma realidade. Vários governos, a nível mundial, têm tomado medidas na tentativa de contrariar o avanço deste desassossego. Uma dessas resoluções passa por transportes individuais, coletivos e industriais mais amigos do ambiente. No entanto, serão alguns destes meios verdadeiramente mais ecológicos? Uma investigação realizada aos navios movidos a gás natural liquefeito (GNL), supostamente “limpos”, revela quantidades significativas de metano invisível que são lançadas para a atmosfera, expondo o “segredo sujo” da Europa no mar.

Esta investigação desenvolvida pela Federação Europeia dos Transportes e Ambiente (T&E), da qual a ZERO faz parte, revela imagens infravermelhas que mostram metano – um potente gás com efeito de estufa – por queimar a ser libertado para a atmosfera a partir de navios movidos a gás natural liquefeito (GNL). De acordo com a ZERO, o metano tem um potencial de aquecimento 80 vezes superior ao do dióxido de carbono (CO2).

O metano que estes navios de grande porte largam só pode ser observado através de imagens infravermelhas. O que levanta questões sobre o conhecimento que os governos europeus têm sobre o uso do GNL como combustível, no sentido de saberem do seu perigo para o ambiente, mas a ideia de ser um gás limpo, poder servir de “disfarce” para o público geral, refere a ZERO.

 Caso estes mesmos governos estejam cientes do perigo ambiental do uso de GNL como combustível, qual é a legitimidade da sua utilização, num período em que é importante combater o avanço das alterações climáticas? As associações mencionadas consideram que os políticos europeus devem afastar-se de um futuro que passe pelo uso de gás fóssil.

NAVIOS EXAMIDADOS

A investigação recaiu sobre o navio Louvre, embarcação porta-contentores francesa da CMA-CGM, onde se provou que este liberta emissões intensas de gases hidrocarbonetos por queimar, através de três saídas de fumo.

O segundo navio em causa foi o Eco-Delta. Foi confirmado que este barco de grandes dimensões liberta metano, queimado e apenas parcialmente queimado, para a atmosfera por dois tubos localizados na proa.

A realidade é que o GNL não é tão “amigo do ambiente” quanto aparenta. Apesar disso, os navios movidos a gás natural liquefeito são notados como a alternativa “verde” aos combustíveis tradicionais. A T&E não acredita que o GNL seja a solução, embora o número de navios comissionados que usa gás fóssil tenha aumentado, significativamente, em 2021.

Medidas urgentes precisam de ser implementadas, rumo à sustentabilidade integral do planeta. É fundamental que cidadãos, empresas e instituições tenham consciência desta matéria, pois todos têm um papel ativo na proteção do planeta.