Procurar
Close this search box.
Procurar
Os mais lidos

O consumo de leguminosas é a solução para a crise climática

zero-leguminosas-essencia-do-ambiente

A pensar na atual forma de consumo global das populações, que excede a capacidade que o nosso planeta tem de regenerar recursos naturais e de absorver resíduos, a Associação Vegetariana Portuguesa (AVP), em parceria com a Associação Ambiental ZERO, o projeto LeguCon e o laboratório colaborativo Food4Sustainability lançou o projeto “Proteína Verde: Plantar a Alimentação do Futuro”.

Este projeto é um relatório que demonstra que a produção intensiva de proteínas animais tem um peso particularmente significativo na pegada ecológica. Por isso, este projeto visa promover a transição gradual para uma agricultura e sistema alimentar baseado, predominantemente, na proteína vegetal, contribuindo, assim, para a redução da pegada ecológica dos portugueses e para a mitigação dos impactos das alterações climáticas.

UM SISTEMA ALIMENTAR INSUSTENTÁVEL

O consumo alimentar, por si só, em Portugal, representa 32% da pegada ecológica nacional, comparativamente, o setor dos transportes e da mobilidade contribui com cerca de 18%.

Para Pedro Ribeiro, da Associação Vegetariana Portuguesa, “as alterações climáticas e a sustentabilidade dos ecossistemas e da economia, face a um sistema planetário com claros limites físicos e biológicos, representam o problema mais grave e mais premente que se colocou à espécie humana nos últimos três quartos de século”

Joana Oliveira, da Associação Vegetariana Portuguesa não deixa de defender que “todas as cadeias de produção alimentar implicam custos externos, tanto ao nível das alterações climáticas, como do agravamento da seca, contaminação da água, perda de habitats e extinção de espécies, mas a forma como produzimos atualmente alimento acarreta ainda mais custos do que aqueles que poderíamos ter, ou seja, é altamente ineficiente”.

A título de exemplo, 1 kg de bife de vaca, produzida em Portugal, em modo intensivo, contribui com uma emissão de cerca de 80 kg de CO2eq (equivalentes de CO2), o que pode ser equiparável a uma viagem de 230 km de carro. Comparativamente, a produção de 1 kg de feijão gera apenas 1 kg de CO2eq, ou seja, o bife de vaca contribui 80 vezes mais para a emissão de gases com efeito de estufa.

SAÚDE PÚBLICA E SAÚDE AMBIENTAL ESTÃO LADO A LADO

Segundo este relatório, existem vantagens claras para a saúde dos portugueses se a sua principal fonte proteica for de base vegetal, elencando-se dados de especialistas (tais como os da The EAT-Lancet Commission), que defendem uma alimentação centrada em alimentos de origem vegetal, em linha com a transição para um cenário focado em proteína vegetal e num regresso às origens da alimentação mediterrânica.

Segundo os dados da balança alimentar de 2020, a nossa alimentação deveria ser constituída por 23% de legumes e consumimos apenas pouco mais de metade (14,4%). No caso da carne, ovos e pescado, deveria representar 5%, mas representa 16,9% (mais de 3 vezes o valor recomendado).

“Uma maior proporção de proteína vegetal na nossa alimentação não significa apenas uma dieta mais saudável e uma melhor qualidade de vida, é também um contributo muito significativo para a neutralidade climática, para a diminuição da desflorestação inerente às importações de mercadorias contidas na alimentação animal e para a diminuição de pressões sobre os recursos hídricos, solo e biodiversidade. Salientando que “uma estratégia nacional para as leguminosas é essencial para a transição ecológica justa do sistema alimentar.”, afirma Pedro Horta Da associação ambiental ZERO.

Nuno Alvim, presidente da Associação Vegetariana Portuguesa, realça ainda a necessidade de inclusão ao nível do sistema alimentar referindo que “a Roda dos Alimentos Portuguesa é a roda dos alimentos de alguns portugueses, mas não de todos. Se analisarmos por um prisma mais amplo, ignora que existem pelo menos 1 milhão de pessoas em Portugal, de acordo com um estudo recente de 2021, que ao longo da semana preferem fazer refeições vegetarianas.”

O Proteína Verde pretende, desta forma, levar todos os portugueses a implementar uma rotina de alimentação mais sustentável e saudável. Este é o primeiro relatório do projeto e inclui 15 recomendações de políticas públicas ao governo português.